Carta ao amigo Neto

Caro Neto.

Desculpa te chamar de amigo.Nos conhecemos pouco (ou melhor: você me conhece pouco). Tivemos no máximo três encontros até hoje.

Um deles foi marcante. No velório do meu avô Luciano do Valle. Esse que você tem um enorme respeito e sempre se recorda com carinho, sendo a figura que te deu a grande oportunidade da sua carreira televisiva, hoje tão consagrada.

A última vez que nos vimos tem mais de um ano, foi uma entrevista exclusiva que fiz com você, em homenagem ao meu avô. Seu carinho por ele ficou evidente somente pelo fato de ter me tratado tão bem esse dia, pra sempre guardado em meu coração.

Por tudo isso, me sinto tranquilo em te chamar de amigo nessa carta aberta.

Amigo Neto: tenho passado os últimos meses chateado com você. A ponto de não conseguir mais te defender perante aqueles que te atacam (nos últimos meses com certa razão) a respeito de sua postura perante as câmeras da Rede Bandeirantes.

Sempre te defendi. Não que você necessite de algum apoio meu, mas nunca gostei das críticas direcionadas a você com relação ao seu “jeitão caipira” de ser, com o R puxado, meio bruto e alheio ao que os outros vão pensar. Além do preconceito “dos letrados” , como você sempre gosta de dizer, que não aceitaram que um ex-jogador que mal sabia falar, ter mais audiência e prestigio que eles, que tanto se dedicaram na profissão.

Achava e ainda acho injusto quando desmerecem sua estrada até aqui por esses motivos. Você teve seus méritos, conquistou seu público e passou a ser respeitado por mérito. Independente de onde veio, quem é e o sotaque que fala.

Te assistia nos meus almoços rotineiramente, mas passei a me incomodar profundamente quando o nível das brincadeiras com relação ao meu time, a Ponte Preta, caiu de uma forma assustadora.

Antes eu até suportava, sou bem tranquilo com relação a rivalidade entre Ponte e Guarani. Aliás, tenho maior respeito pelo Bugre, time da minha vó Yolanda.

Mas com o passar do tempo, o limite do aceitável de provocação clubística foi ultrapassado ferozmente por você.

Não sei se foi porque a Ponte Preta proibiu a ida dos jogadores ao seu programa, mas vá lá! Ninguém tem sangue de barata. Um programa que passa pra todo o estado de SP e entra em todas as casas diariamente, não pode ser a voz de nenhuma torcida e de provocações.

Sei sim que faz parte de uma “política de jornalismo esportivo bonachão” da Band nos últimos tempos (já bastante defasado) , mas se tratando da rivalidade de Ponte e Guarani é um pouco diferente, não acha?

Vamos lá: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos estão sempre na grande mídia. De várias formas esses clubes são expostos  por bem ou por mal, inclusive com programas fazendo piada com o aspecto de corintiano ser ladrão e são paulino ser bambi. Ok, não me agrada, mas está aí.

Quando o recorte passa a ser somente Ponte e Guarani, clubes hoje pouco explorados pela grande mídia, a questão muda. Um exemplo básico: o torcedor nunca vê notícia da Ponte nos principais noticiários esportivos do Brasil. Quando aparece é porque tem jogo contra grande de capital e ainda de forma secundária, mesmo quando ganha.

Imagina a situação contrária: um consagrado apresentador pontepretano fazendo chacota da situação do Guarani? Não seria legal. O assunto deve ser tratado de forma séria por jornalistas e formadores de opinião.

Sabendo disso, não faz sentido todos os dias o mesmo apresentador fazer chacota do mesmo clube.

A consequência disso é uma torcida revoltada e um apresentador que não pode mais andar tranquilamente na cidade onde sempre gostou de viver.

Além dos inúmeros repórteres da TV Bandeirantes que passam pelo Majestoso e sempre são obrigados a passar pelo constrangimento de ser cobrado pelo torcedor com relação a você, sua paixão e seu ódio particular. Acha justo com seus colegas de casa?

Depois de muitas provocações, o estopim foi na última sexta, quando você resolveu marcar no ar uma briga com a torcida da Ponte. Disse que estaria em um compromisso num super-mercado e que o torcedor revoltado com suas provocações poderia ir lá se resolver com você – e ainda disse que era pra ir em bando.

Obviamente o evento foi cancelado pelo super-mercado por motivos de segurança. Todos saíram perdendo com um evento comercial cancelado, por incentivo da violência partindo de você mesmo. Algo totalmente evitável se tratando de um apresentador de uma TV tão grande como é a Bandeirantes e, PASMEM, no horário do almoço.

Assustador saber que chegamos nesse ponto.

cancelado

Já parou pra pensar que esse tal time que você  insulta todos os dias, até se negando a dizer o nome e chama os torcedores pro pau, foi o time de coração do cara que você é tão grato pela sua vida na TV?

Será que você falava essas coisas que hoje diz diariamente sobre a Ponte para o meu avô?

Diferente de você (e até de mim), ele nunca fez muito alarde com relação a paixão clubística dele. Jamais deixou que isso influenciasse em alguma narração sua. Mas nunca escondeu e todos sabem que ele amou muito a macaca!

Portanto, não por mim e nem pela torcida da Ponte, mas pelo meu avô, pessoa que você tanto respeita: pare com isso, por favor!

Espero que me entenda. É para o bem de todos.

Com carinho e respeito que ainda existe

Paulo do Valle

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Ponte Preta vestirá Adidas na estreia do Campeonato Paulista

A angústia do torcedor pontepretano está prestes a terminar.
A macaca enfim terá uma fornecedora de material esportivo do tamanho de sua grandeza.
A empresa alemã Adidas será anunciada na próxima semana, praticamente um ano depois de ter seu nome ventilado nos bastidores do Majestoso.
O principal empecilho para que o negócio fosse concretizado anteriormente surgiu com o contrato firmado entre o clube e a Pulse, que forneceu e estilizou até novembro de 2014 os uniformes do time pontepretano.
O contrato com a marca desconhecida foi visto como um dos “micos” da antiga diretoria devido ao tempo de duração e as cláusulas, além da incompetência da empresa com relação aos serviços prestados, quantidade e qualidade dos uniformes.
Apesar das falhas técnicas e a rejeição por boa parte da torcida, a Pulse esteve presente em momentos marcantes do clube como a campanha da Copa Sulamericana e boa parte da séria B de 2014 que culminou no acesso ( ironia do destino ou não, depois do rompimento oficial do contrato com a empresa, a coisa desandou e o time não venceu mais – desperdiçando a chance de conquistar o título inédito).
A marca também foi responsável pela criação de camisetas comemorativas que caíram no gosto do contrariado torcedor pontepretano, que nunca engoliu direito a parceria, mas consumiu os produtos colocados no mercado.
Quase nada conseguiu fazer a macaca quando surgiu o provável interesse da mega-marca Adidas, devido ao contrato bem amarrado. Apesar de tudo certo “nos bastidores”, clube e marca tiveram de esperar até o fim do ano passado, quando o contrato foi rompido na justiça, através do trabalho do departamento jurídico da Ponte Preta.
Com o aval da justiça, o time ficou livre para negociar de forma concreta com a Adidas.
O recesso do final de ano impediu com que o anúncio fosse feito de forma oficial ainda em 2014 – fato que afligiu o torcedor que sonhava com um natal de três faixas dentro das caixas.
Entre segunda (05) e terça-feira (6) a pergunta mais feita pelo fanático torcedor do clube foi:
E a Adidas???

Eis que hoje (terça) uma reunião alinhou os últimos detalhes entre clube e marca.
Coisas como: administração da loja oficial e material para as categorias de base.
Na quinta-feira (08), uma última reunião irá acontecer para as considerações finais do contrato, que será assinado na próxima segunda-feira.
Pouco se sabe sobre valores e tempo de contrato (cogita-se 2 anos), mas dizem por aí que a parceria será forte, nos moldes de grandes clubes que levam a marca alemã.
De certo, o torcedor já pode contar os dias para a estréia do clube no Campeonato Paulista em 1º de Fevereiro, contra a Portuguesa.
A estreante do dia será a Adidas

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Que Deus perdoe essas pessoas ruins

O circo midiático em torno do nome de Adriano Imperador chegou ao ponto mais crítico nessa semana, quando o (ex?) atleta foi denunciado pelo Ministério Público por tráfico de drogas.
A denúncia, é baseada num fato de 2007 (com repercussão na época) em que Adriano tem o nome ligado ao chefe do tráfico da Vila Cruzeiro, onde cresceu e viveu boa parte da vida antes de se tornar o Imperador. Já rejeitada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a denúncia da conta de uma moto que Adriano deu de presente para o amigo, que supostamente foi usada para o transporte de drogas.
A noticia veio à tona no momento em que o jogador tenta, mais uma vez, se reerguer no futebol. Agora na segunda divisão francesa.

A falta de respeito com o ser humano que tem seu nome ligado ao tráfico de drogas é enorme.
Não se levou em conta as pessoas atingidas em uma denúncia como essa. Não só Adriano, como sua família e principalmente os seus filhos.
Muito menos se levou em conta a história do craque, que nasceu e cresceu no morro e teve no futebol a chance de mudar de vida.
Apesar da riqueza, Adriano nunca virou as costas para o seu passado e o seu povo. O apelido de “Imperador” nunca foi tão adequado para o sujeito que prosperou, mas nunca deixou de olhar para aqueles que fizeram parte de sua história e formaram o seu caráter.

Infelizmente, nem todos em uma favela tem a mesma sorte do Imperador. No círculo de amizades do jogador estão os mesmos amigos que cresceram com ele, mas optaram por caminhos diferentes. Entre eles, está Mica – o tal do chefão do tráfico que recebeu a moto de presente do amigo.
Pode parecer chocante alguém ter como amigo um chefe do tráfico de um morro.
Mas pra quem cresce e vive ali dentro, a coisa mais comum é conhecer e até manter amizade com traficantes. É comum a harmonia de criminosos com pastores, senhoras evangélicas e crianças. Mesmo que não exista uma proximidade, a segurança dada pelos chefões do tráfico para a comunidade é bem-vinda por todos.

O forte laço de Adriano com sua comunidade nunca foi bem visto dentro do meio em que ele se meteu.
Isso explica boa parte do alarde em cima do caso, mas não justifica o fato do jogador ser polêmico por natureza.
O Imperador poderia ter evitado várias polêmicas envolvendo seu nome, mas tocou o foda-se, pouco ligando para a repercussão das atitudes do principal atacante brasileiro pós Ronaldo e Romário.
Pela ordem natural da vida, Adriano seria o dono absoluto da camisa 9 do Brasil nas últimas edições da Copa do Mundo. Com ele em campo, arrisco dizer que teríamos melhor sorte em 2010 e em 2014, quando o artilheiro seria lançado aos braços do seu povo.
A pergunta que fica é: custava esperar mais alguns anos para cair na farra?
Para nossa geração que viu o Imperador reinar, o gosto da frustração sempre estará presente quando ouvirmos o nome de Adriano.

Apesar da frustração, Adriano é vítima e não merece um final de carreira dessa forma.
Não merece ser acordado do sonho de reerguer-se novamente, após tantas quedas.
Adriano se auto-sabotou, mas foi também sabotado por viver em um meio que nunca aceitou seu coração humilde.
Neste momento, o Imperador é vítima da mesma mídia que não vê problema do político ter ligação com o tráfico, quando é pego com 450kg de cocaína em seu helicóptero (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/11/25/pf-apreende-450-kg-de-cocaina-em-helicoptero-da-familia-perrella.htm ),mas faz alarde (e inventa) sobre um ser humano que não tem suas raízes respeitadas.
Adriano é mais uma vítima da hipocrisia corriqueira da nossa sociedade imbecil dos “dois pesos e duas medidas”.

Vida longa ao Imperador e que Deus perdoe essas pessoas ruins.

Paulo do Valle

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Adultos Crianças

Onde erramos na educação de nossos pais?

Eu sei. Reconheço que deveria ter proibido meus pais de irem nas manifestações do ano passado. Tentei avisa-los sobre os black blocs e os comunistas que queriam o passe livre, mas assim que souberam da vizinha que ia pra pra rua pedindo o ” respeito a família”, não tiveram o pudor de pintar a cara de verde amarelo pra pedirem a redução no preço da ração pra cachorro.

Nunca levei muito a sério essa rebeldia sem causa deles, mas como um bom filho, tentei respeitar. Pensei: ” deve ser coisa de adulto tentando se afirmar na sociedade. Esses adultos…”
Com o passar dos meses, não sei o que aconteceu com esses adultos.
Alguns se descobriram. Saíram do armário. Ou melhor: entraram.
Outros simplesmente viraram uns mimadinhos chorões, um tanto quanto mal educados. Verdadeiros adultos crianças.

Eu nunca toquei no assunto “respeito” nos almoços em família?
Que não podemos xingar, nem discriminar o coleguinha que pensa diferente? Que o voto do amiguinho do nordeste tem o mesmo valor que o nosso, mesmo ele sendo mais pobre? E que não tem problema a moça que trabalha em casa receber bolsa família, mesmo que o marido dela seja um ” bêbado vagabundo” ?
Acho que falamos a respeito disso um dia desses.
O pai até soltou uma boa, que eu anotei com esperança de que no fundo ali pudesse habitar um adulto jovem: “o brasileiro está a aprendendo a lidar com a democracia. Isso ainda é recente.”
Um pensamento digno de um adulto jovem. E eles existem, viu?
Até tenho amizade com alguns. Surpreendem pela forma de ver o mundo mesmo nascendo antes da década de 90.
Alguns amigos até são filhos de adultos jovens!

Eu não!
Será que a culpa é minha?
Meu Deus! Eu não devia ter deixado meu pai curtir aquela página do ” Bolsonaro sincero” e nem que ele compartilhasse o vídeo do Malafaia listando os 45 motivos pra não votar 13.
Não devia ter baixado esse tal de whatsaap no iPhone da minha mãe. Meu pai foi na onda e agora os dois fazem parte de mil grupos do trabalho, da academia e até de outros adultos crianças da família. Eles ficam compartilhando umas correntes estranhas e falsas notícias como ” eleitor da Dilma votará na outra semana” ou ” a Dilma vai chorar no terceiro bloco do debate” ou ” o cara que denunciou a Dilma e o Lula pra Veja foi envenenado”
A gente já não conversou que mentira não pode, nem que for só de zuerinha?

Agora eles resolveram me aparecer com um amiguinho novo. Um tal de Aécin
” porque é Aécin daqui, Aécin de lá..”
Outro dia tentei alertar sobre a reputação do moço e a resposta veio de forma irônica, assim como ele faz quando é perguntado sobre um erro seu:
” Aé sim, Aé sim, Aé sim”.

Mas hoje meu pai passou dos limites!! Com a camisa da seleção brasileira personalizada nas costas ” eu não quero outro 7 x 1″ , ele foi votar empolgado pela festa da democracia open de ódio. E no caminho encontrou um grupo de eleitores do PT, e como um adulto criança inconseqüente gritou com a cabeça pra fora do carro ” SEUS PETRALHAS, MENSALEIROS, PAREM DE ROUBAR O BRASIL” .

Muito rápido o repreendi: ” você não pode chamar de ladrão quem vota no PT. É o mesmo que eu te chamar de cheirador por votar no Aécio.” – Minha mãe, também com a camisa da seleção personalizada com “Aécio 45”, me olhou torto.
Depois, pensei comigo: Todo esse ódio, eles não eram assim. Estariam eles envolvidos com drogas?
Onde foi que eu errei?

Texto de ficção, por um autor que não existe, em um mundo real.

Temos fome sem saber de quê

Aconteceu com muita gente. Comigo, com as pessoas que me influenciaram nesse gosto, com outros anônimos pra mim. Nós descobrimos Los Hermanos depois que eles que já haviam cansado de ser o que se tornaram. Após uma gestação complicada e imprevista, nascemos órfãos. Um fardo para ser carregado com dignidade.

Eu gosto de bastante coisa na música, mas sou declaradamente fã de alguns nomes que talvez não cheguem a preencher uma mão – não parei para contar exatamente agora. E é engraçado essa relação com os barbudos. Ser fã de algo que não existe mais – eu sou ou eu era? Los Hermanos é o melhor de The Walking Dead na música brasileira. Morreram, mas seus corpos vagam, errantes, para não nos deixar esquecer. De tempos e tempos, ainda tentam se alimentar de nós, assim como nós deles.

Monstro

Monstro

Penso que seja difícil, num primeiro momento, conseguir gostar daqueles quatro rostos sem que estejam reunidos sobre o mesmo palco. Porém, cheguei à conclusão de que o que os faziam (ou fazem?) tão incríveis juntos é que eles também são bons pra caralho separados. Mas é pedir demais, para quem um dia teve a oportunidade de admirá-los reunidos, que não se dê ao direito de esperar ao menos migalhas de nostalgia quando uma daquelas caras vem nos mostrar o que sabe fazer.

Assisti ao show da Banda do Mar em Americana (SP), no sábado, apenas a quinta aparição pública do novo projeto do eterno hermano Marcelo Camelo com a companheira (eles são casados com papéis e todos os que tais?) Mallu Magalhães, além do português Fred Ferreira. Apesar de ter ouvido, reouvido várias vezes e aprovado aquilo que transformaram em CD, o que mais me serviu de força motriz para assisti-los foi a expectativa de ver Camelo outra vez, agora mais de perto, bem mais de perto do que naquele 11 de maio de 2012 no Espaço das Américas, em São Paulo, no primeiro e único show em que o vi junto de Amarante, Medina, Barba & cia.

Foi uma noite de saudade e convicção: a de que Camelo e Mallu, lado a lado em voz e violão, parecem dizer, mesmo sem verbalizar, “nós estamos felizes por estar aqui”. Enquanto ela cantava sua Sambinha Bom, ele puxava uma baqueta para firmar a percussão junto à bateria de Ferreira, enquanto regava a garganta com uma inconfundível Stella Artois. Cena de um ensaio em casa. Quando se cruzavam, lhe afagava os cabelos e dizia algo ao ouvido. Mais sintonia que essa só Chitãozinho & Xororó cantando Evidências. Um clima tão pra cima que rolou até pedido de casamento no meio do show durante Janta, música que eles dividem.

O repertório da banda tem seus momentos de semelhança com o Camelo que conhecemos. Não é difícil imaginar suas composições em algum dos quatro CDs dos Los Hermanos. Pode Ser e Dia Clarear estariam tranquilamente no “4”, assim como Cidade Nova no “Ventura”. Viajando mais, consigo até ouvir Hey Nana numa versão mais acelerada e metalizada, dividida com Amarante no vocal, no primeiro disco. Faz Tempo, Solar e Vamo Embora, as outras composições dele nesse projeto, também deixam aroma de algo já conhecido no ar.

Mas não dá pra negar que cada rif criava a expectativa de que viria alguma das antigas, ainda mais quando a maior parcela das luzes do palco se apagava, deixando apenas um holofote sobre Camelo. Será que vem A Outra? Deixa Estar? Adeus Você? Conversa de Botas Batidas? Samba a Dois? Qualquer uma em meio a seleção que o hermano deixou pra nós na mistura de quatro exemplares. Vieram Além do Que Se Vê e Morena. Senti-me privado de Casa Pré-Fabricada, tocada nos shows de Porto Alegre e Rio de Janeiro dias antes.

Só que se sentir privado mais uma vez de qualquer música deles não é novidade, mas a rotina dos saudosos. Somos alimentados pelo que nos resolvem oferecer. Não dá para reclamar. Não pude testemunhar ainda alguma apresentação de Amarante nos seus projetos posteriores. Certamente o farei assim que tiver a oportunidade. É sabido de que eles vivem do que fazem hoje (e bem feito), sem amarras com o passado. Assim como é sabido que para nós essa dissociação é como se dedicar a separar água e óleo do mesmo balde.

Já estou faminto de novo.

Bruno Moreira

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Em defesa de Tiririca

Eu vou fazer como está na onda agora. Vou contra ‘tudo o que está aí’ e vou defender o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido pela alcunha de Tiririca. Ele foi o candidato mais votado no ano de 2010 com 1.353.820 votos. Francisco ajudou a eleger vários deputados pela coligação PR/PT/PRB/PCdoB/PTdoB. Típico puxador de votos, deputados que hoje estão presos foram eleitos na cola de Francisco Everardo que sofreu preconceito e teve que provar que não era analfabeto.
Com o slogan “Pior que tá não fica”, o deputado se elegeu prometendo contar o que um deputado faz e chegou à conclusão que o parlamentar trabalha muito e produz pouco.
Um levantamento feito pelo projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, mostrou que o deputado do PR foi um dos quatro únicos deputados que tem 100% de presença nas sessões do Congresso Nacional.
Sim, para você que pede tanto a presença do parlamentar na Câmara, ele esteve lá em todas as sessões nesses quatro anos de mandato, porém, sem nenhum pronunciamento.
Como ele mesmo disse, produz pouco. Como deputado, Francisco apresentou poucos programas e de pouca relevância, como concessão de honrarias. Nenhuma lei de sua autoria foi aprovada. Ele também não foi líder de nenhuma comissão do legislativo, ou seja, apesar de ter grande votação, não é um líder.
O parlamentar gastou menos que a média dos 513 deputados nas verbas do seu gabinete.
Depois de todos esses dados você deve me perguntar o porquê de eu defender o deputado Francisco Everardo. Sim. Defendo.
Em 2014, ele foi reeleito com uma votação menor. Foram 1.016.796 votos e perdeu para Celso Russomano que bateu mais de um milhão e meio de votos.

É errado quem coloca o Francisco Everardo na mesma conta de ‘bizarrices’ de Marco Feliciano, Bolsonaro, Russomano, pastores e afins. Esses defendem uma ideologia. São da direita e representam um pensamento.
Já Francisco Everardo foi eleito, primeiramente, como voto de protesto. Hoje porque tem a propaganda melhor, mais engraçada. O único que se assume como palhaço nesse circo que virou nossa política. A propaganda de Tiririca é uma palhaçada sim, faz a gente rir, mas é um tapa na nossa cara.
Por outro lado, Francisco Everardo sofre o preconceito. Pedem um deputado que tenha presença. Ele tem. Pedem um deputado que gaste menos. Ele gasta, mas Tiririca é sempre citado no hall das ‘bizarrices’ eleitorais.
A justificativa é que ‘ele é um palhaço’, mas por que palhaço não pode ser representado na Câmara Federal?
Se ruralista, estudante, pastor, comunista podem, por que o palhaço não? Onde está a democracia?
A nossa Constituição diz muito bem que todo e qualquer cidadão pode ser candidato e, se Tiririca é um palhaço, Francisco Everardo é um cidadão. Cidadão igual a mim. Cidadão igual a você.
Acho que vergonha maior deveria ser de eleger deputados racistas, homofóbicos. Deputados que são acusados de crimes, alguns até comprovados.
Não há nenhuma diferença no discurso do “Vou votar no Tiririca em protesto” do “Vou votar no X, que não faz um bom governo, para evitar que o partido Y entre no poder”.
Duvido muito que os críticos de Francisco e seus eleitores analisaram o passado e a trajetória dos seus candidatos. Analisaram a atuação dos seus parlamentares.
Errado não é Tiririca que se fez valer de uma lei de quociente eleitoral. Sem reforma política isso não vai mudar. Sai Tiririca e entra outro puxador de voto.
Errado não é Francisco Everardo se os eleitores de São Paulo viram nele um protesto ou uma forma de mudar “tudo de errado que está aí”.
Deixem o Tiririca trabalhar. Deixem Francisco Everardo ser eleito. É um direito.

Por: Henrique Brazão

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Serão dias de luta

Por volta da 1h da manhã do domingo eleitoral, ainda não tinha claro na cabeça em qual mulher iria meu voto para presidente do Brasil. Se por um lado votar em Dilma exigia um certo esforço pessoal de minha parte, por outro, não me faltavam motivos pessoais (e coletivos) para escolher Luciana Genro como minha opção ao cargo mais alto do país.

Pensei comigo durante os últimos dias que antecederam o pleito, de que na urna eu precisaria ser negro, ser pobre, ser gay, ser mulher, ser maconheiro e qualquer outra minoria desse país tão desigual, para fazer a escolha certa. A escolha das bandeiras que tenho levantado e pretendo levantar pelos próximos anos de minha vida.

Mesmo com a convicção de que Genro e o PSOL representam a melhor opção para um Brasil mais igualitário, uma conversa na volta pra casa dentro de um taxi, me deu a resposta de que a excelente Luciana Genro teria de esperar um pouco mais até ter meu voto.

Neste domingo eu votei pelos últimos 12 anos que não podem se apagar da memória do brasileiro que sabe que sua vida mudou pra melhor. E eu não estou falando de você, que neste momento lê esse artigo e pensa ” mas a minha vida continua igual, o que aumentou foi a roubalheira”, e nem estou falando de mim – um playboy, branco, heterossexual que sempre teve o que comer e vestir.

Eu falo de brasileiros que vivenciaram as melhorias dia após dia nesses anos todos. A moça que limpa sua casa, o porteiro do seu prédio, o pirueiro dos seus filhos e o taxista – este que me deu a prova final de que eu deveria manter meu voto no PT.

E foi na conversa despretensiosa durante o caminho de volta pra casa que perguntei ao senhor de quem seria seu voto para presidente. E como quem pede desculpas, ele iniciou dizendo :

– Eu sou pobre né, então tenho que votar como um.

Antes que ele terminasse e revelasse sua resposta, não pestanejei e disparei

– É dos meus. Vai de Dilma.

-É claro.

A resposta foi o suficiente para que a dúvida em minha mente sumisse.

Apenas para encher os olhos de lágrima, o coração de orgulho e sair do taxi com o peito aberto para renovar minha confiança, eu perguntei:

-Então sua vida realmente melhorou nos últimos 12 anos?

– Melhorou muito.

Depois da reposta eu só consegui desabafar contra a classe em que eu faço parte.

Os ricos. Os caras de São de Paulo.

Esses que se sentem votando certo em um estado que reelege Generaldo Alckmin, escolhe Serra para o senado, e tem a pachorra de reclamar do ” nordestino burro que sempre reelege o PT”.

Estado de dois pesos e duas medidas. Que não vê problema nos 24 anos de PSDB por aqui, mas acha que 12 anos de PT no poder aproxima o país da tão temida ” ditadura comunista” , que nunca aconteceu e está longe de virar realidade.

Estado de corruptos. Da roubalheira do metrô, dos cartéis, da polícia truculenta e pouco eficiente, da falta d’água e do conservadorismo cego de Felicianos, Russomanos, etc.

Votar e decidir o rumo do país vai muito além da sua timeline do Facebook. O ódio cego contra o PT e a presidenta Dilma tirou votos do partido. O desgaste foi sentido nas urnas. Mesmo assim, o povo não abandonou o projeto que deu certo na prática. É só perguntar por aí (longe da sua TL), como eu fiz. A guerra das classes existe e está aí para todo mundo ver. Prova disso é o ódio que seus pais, seus avós, seu tios e seus primos tem pelo Partido dos Trabalhadores.

Eles vão dizer que o partido é sujo, corrupto e que somos cúmplices dessa roubalheira toda. Mas nós lembraremos a eles de que em 10 anos de PSDB em Minas Gerais só 3 CPIs foram abertas e mais de 70 barradas, enquanto 4,3 bilhões de reais sumiram na Saúde. Quem tentou investigar foi perseguido por Aécio e sua turma. Perguntem sobre como o tucano lidará com a liberdade de imprensa, já que persegue jornalistas e intima sites de buscas, como Google e Yahoo, para a retirada de links que relacionam o seu nome ao uso de cocaína e ao desvio de verbas.

Enquanto isso, Dilma, Lula e PT apanharam como Jesus na cruz e nunca fizeram nada contra aqueles que foram ferrenhos com o governo nesses 12 anos.

Transformar o Brasil em uma ditadura comunista é o que mais falam, mas faltam fatos e argumentos pra isso. Até mesmo comparar a construção de aeroporto em Cuba com o a construção de um aeroporto público no quintal do tio ( como fez Aécio Neves) é válido para eles nessas horas.

Cabe a nós agora colocar as cartas na mesa. Comparar o que tem de ser comparado. O que melhorou? por que melhorou? Como será com Aécio e a volta da direita ao poder?

Temos de estar cientes que muitas medidas impopulares serão tomadas. Aécio fez isso em Minas quando pagou o piso salarial mais baixo do Brasil aos professores. Na saúde, além do desvio de verba, o candidato desvalorizou os médicos diminuindo o salário-base da categoria, sendo o segundo pior do Brasil.

Enquanto o país reduzia o custo da luz, Minas teve um aumento de quase 15 % , já que o governo do estado quis um aumento de 30% na conta da população. A tal aceitação de Aécio e o PSDB no estado, cai por terra nessa eleição em que a conterrânea Dilma Rousseff teve mais votos por lá, além da eleição no primeiro turno do candidato petista Fernando Pimentel ao governo.

Eleger Aécio é se preparar para o pior. O aumento dos preços, o risco da volta do desemprego, além da não garantia de continuidade de projetos populares que vingaram no governo nacional se tratando de saúde, educação e assistencialismo.

Isso não pode parar por aqui.

Repito que não escrevo aqui para quem vê no PT tudo de ruim que existe na política. Esse voto ninguém mudará, pois se trata do voto guiado pelo ódio cego ao partido, fomentado pelo enfoque oportunista de mídias influentes no país durante esses anos. A minha conversa aqui é com aquele que, assim como eu, vai mais além na hora de pensar a respeito do que é melhor para país e não fica preso ao papo dos que acham que nada mudou só porque a vida dele continua da mesma forma.

Vão nos dizer que o problema do PT é a corrupção, mas nós lembraremos que daquele lado também existe muita sujeira e pouca investigação.Se estivessem ligando para corrupção de fato, não estariam tentando eleger um candidato que exala irregularidade, assim como seu partido. O problema da classe média com o PT é puramente pessoal.

Os próximos dias serão sofridos. A ameaça existe e daqui algumas semanas poderemos estar assistindo a volta da política conservadora e seletiva, daqueles que já tiveram a chance de dar sua contribuição ao país e pouco fizeram pelo nosso povo.

Hoje com 24 anos, digo que passei minha adolescência ouvindo por parte daqueles que me rodeavam que o PT era uma merda. Mas paralelo a isso vi um país cada vez mais igual, com a vida de muita gente mudando. Nunca me incomodei com isso e tenho sede de mais. Quero mais melhorias ao nosso povo e mais igualdade para as minorias.

Quero a classe C e D dentro de shoppings e aeroportos, quero gays casando e constituindo famílias, quero o negro na mesma sala de aula do meu filho, quero mulheres superando os homens no ambiente empresarial ( até por isso voto em uma mulher e não em um homem que aponta o dedo pra uma)

E quero muito mais que isso!

Quero um estado mais laico, que permita a opção da mulher de praticar o aborto quando não lhe é conveniente ter um filho. Quero que a “guerra contra as drogas” seja tratada como assunto de saúde e não como segurança pública, pois é preciso descriminalizar o usuário, urgente.

É fato que no atual governo algumas questões vitais como essas, pouco evoluíram devido a forte pressão de alas conservadoras do senado e congresso. Mas o que não faltou foi discussão e posições a respeito do tema.

Com que frequência esses temas entrarão na pauta de uma eventual gestão tucana no país, que terá o apoio em massa de um senado e congresso com pouca representação do pensamento esquerdista e conservadorismo de sobra?

Seria como entrar na contramão do mundo atual, em que muitos países discutem internamente temas como a descriminalização e a legalização da maconha para enfraquecer o tráfico e com a arrecadação aumentar o investimento na saúde. Enquanto aqui, o senador eleito por São Paulo compara a ” legalização do tráfico” com a ” legalização da pedofolia”, mostrando total despreparo e falta de tato com um tema tão vital.

Queremos muito mais do que ainda podem nos oferecer e não podemos regredir neste momento. O recado deles foi dado nas urnas: a direita está unida.

Do lado de cá, a falta de integração por parte dos descrentes do governo petista precisa ser superada neste momento. Chegou a hora de deixar de lado o ressentimento e as frustrações de um governo que ficou longe de representar os anseios de uma verdadeira frente de esquerda, mas não fugiu da luta pela melhoria de vida do povo que, enfim, vivenciou uma administração que olhasse mais por eles.

Mesmo que seja difícil votar em Dilma Rousseff (e eu sei que é), é preciso tomar a decisão de se omitir, ou não, em um momento em que a mais velha política bate à porta do Palácio do Planalto.

Daqui pra frente, independente do resultado no dia 26 de outubro, os dias serão de luta. Caso siga no poder, Dilma terá de se desdobrar para que, assim como Lula, tenha um segundo mandato muito melhor de que o primeiro. E isso deve acontecer caso a presidenta tenha aprendido com os erros (que sempre existem) nos 4 anos que se passaram. Além disso, o PT seguirá sobre forte marcação da imprensa que nunca deixou passar nada de irregular feito pelo partido e seus representantes. Será assim com Aécio no poder? Os fatos não nos dão muitas garantias.

Se perdermos (o que é bem possível) que fique a lição para que possamos organizar melhor a integração de uma esquerda que faça frente ao que estará por vir. Será a hora de uma reflexão sobre os anseios das lutas diárias de cada um, para uma maior união de ideias em prol de um país mais civilizado e igualitário. O maior trunfo da direita e suas representações nessa eleição foi a união de discursos, que deixaram claro a existência uma agenda conservadora para o Brasil.

Tanto a vitória como a derrota, nos leva a reflexão de que a esquerda do país e, principalmente o PT, precisam se reinventar nos próximos 4 anos para que não voltemos ao passado de vez.

Vamos à luta.

dilmita

Escrito por: Paulo do Valle

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Hermes sem Renato

O meu Didi Mocó morreu

Ainda não sei os motivos que levaram o humorista Fausto Fanti ao suicídio. Um cara que dedicou sua vida inteira ao humor, em conjunto com os amigos de infância, nos deixa de forma tão triste e melancólica.
De uma brincadeira de criança, a trupe do Hermes & Renato formou o laço humorístico de uma geração. A minha geração.
Perde-lo assim, de repente, sem explicação, me fez perceber o quanto Fausto e seus amigos foram importantes na minha vida e na dos meus amigos.
Precisou nos deixar de forma trágica, sem a mínima graça, para chegarmos a conclusão de que era o maior por ali.

O verdadeiro idealizador da causa de um humor no sense, jamais praticado na televisão brasileira. Humor de amigo, que só faz sentido ali, naquele momento e apenas para aquelas pessoas. Uma grande piada interna, cheia de detalhes.
Mal sabia Fausto que o humor de seus amigos, era parecido com o da minha turma e de tantas outras espalhadas por aí.
Todos nós, de alguma forma, choramos a morte de um ídolo tardio. Mais um que precisou morrer, pra provar a si próprio o tamanho de seu talento e legado. Ao tentar provar pra si, prova para o mundo que foi um humorista incontestável, que levou nas costas o grupo rumo ao sucesso.No documentário exibido pela MTV no aniversário de 10 anos do humorístico, fica evidente que Fanti era o cabeça da trupe. Não se limitava apenas aos geniais personagens em que deu vida. Foi durante todos esses anos o grande mentor do sucesso de Hermes & Renato.

Por que optou por colocar um ponto final em sua obra?

Deste momento em diante eternizado em nossa memória, como Mussum e Zacarias, agora Fausto será lembrado todos os dias por tudo que fez e colocou em prática sem pudor.
De Dona Máxima, patroa rica de Sinhá Boça, passando por repórter e âncora de Jornal Jornal/Documento Trololó, chegando ao apresentador de TV com Claudio Ricardo e terminando como um nóia (ou como palhaço Gozo), ou apenas sendo o malandro Renato, Fausto era tudo isso e mais um pouco.
Talvez não tenha suportado o peso de ser tanta coisa e , ao mesmo tempo, ser apenas Fausto, um carioca criado em Petrópolis, que só queria se divertir com os amigos.
E hoje eu só queria a presença dos meus. Os que me fizerem ser quem sou, assim como Fausto e sua turma fizeram com nós. Apenas ficaríamos assistindo aqueles que formaram nosso (desvio de) caráter, influenciaram nossas atitudes e nosso estilo de humor.
Somos gratos por tudo o que Fausto Fanti fez por nós, nos livrando do tédio e da mesmice de nossa televisão.

Muito Obrigado.

"Puta que pariu, mas essa cerveja está com gostinho de quero mais"

“Puta que pariu, mas essa cerveja está com gostinho de quero mais”

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O Brasileirão é legal sim

Mesmo com a ressaca monstra pós Copa, o campeonato nacional recomeça em meio ao sentimento de que nosso futebol precisa renascer das cinzas.
Mesmo com muito o que mudar, nossa competição tem seus atrativos.

Pegando o rabicho da Copa, nossas arenas estão prontas para receber novamente a “família brasileira” no ambiente futebolístico.
Mesmo sem os escretes que aqui desfilaram por suas seleções no último mês, os clubes brasileiros tem motivos para atrair seu torcedor de volta ao campo.
No atual campeão Cruzeiro, a busca pelo BI é intensa após o fracasso na Libertadores. O clube conseguiu manter suas principais estrelas e tem em seu plantel um dos nomes de renovação da nossa seleção, O meia Everton Ribeiro.

O craque do cruzeiro e uma das esperanças do nosso futebol. Nome certo nas próximas convocações da seleção brasileira.

O craque do cruzeiro e uma das esperanças do nosso futebol. Nome certo nas próximas convocações da seleção brasileira.

No rival Atlético-MG, que joga hoje a Recopa, a expectativa é se Ronaldinho Gaúcho reencontrará o bom futebol e fará jus ao que foi falado de sua ausência na seleção de Felipão.
Outra ausência questionada, também estará desfilando pelas arenas até dezembro: Kaká, de volta ao São Paulo, tenta provar que ainda tem lenha pra queimar no futebol.

Ídolo do São Paulo está de volta, mas com prazo de validade - só até o final do ano, quando vai jogar a MLS nos Estados Unidos

Ídolo do São Paulo está de volta, mas com prazo de validade – só até o final do ano, quando vai jogar a MLS nos Estados Unidos

Nos clubes paulistas, a ordem é apagar o vexame de 2013, quando nenhum clube do estado conseguiu se classificar para a Libertadores desse ano. O Corinthians se reforçou de forma pesada, e tenta ganhar o 1º título no ano de estréia do seu estádio. A promessa é de que o timão jogue com casa cheia até o final do ano.
Assim deve ser também com o rival Palmeiras, que já vê pronta sua nova arena. E é no clube alviverde que deposito minha maior expectativa nesse recomeço e na sequência do trabalho de Ricardo Gareca, argentino contratado para mudar a cara do futebol palmeirense.
Em tempos que a discussão sobre um comandante estrangeiro na seleção pega fogo, Gareca pode ser a solução ” caseira” pra questão, levando em conta que não é (nem um pouco) garantida a permanência do técnico que assumirá a seleção canarinho nos próximos dias.
Para isso, o treinador argentino, precisa atingir nos próximos dois anos, o sucesso que teve no Vélez, clube que treinou por mais de 4 anos. Será preciso paciência por parte de torcida e diretoria, que já se mostrou á frente do seu tempo, ao propor contrato de produtividade aos jogadores.
Com um elenco apenas regular, fica difícil apostar que o Palmeiras belisque o título do campeonato, mas uma classificação para a Libertadores, com novas perspectivas de futuro para o palmeirense, já seria muito bem-vinda para que o trabalho de Gareca tenha um respaldo maior por parte de todos.
O argentino tem a chance de provar aos nossos treinadores que é preciso uma renovação no pensamento dos que se julgam os estrategistas da bola no Brasil.

Gareca pode salvar o futebol brasileiro dos técnicos ultrapassados?

Gareca pode salvar o futebol brasileiro dos técnicos ultrapassados?

Voltemos a nossa realidade pobre, que se tratando de futebol, pode reservar fortes emoções dentro de um campeonato tão equilibrado de ponta a ponta. São poucas as competições com tantos favoritos como no Brasil.
Não por uma questão de justiça, já que dia após dia os clubes pequenos vem tendo cada vez menos espaço e chances em campeonatos de pontos corridos.
Muitos querem a volta do mata-mata. Para esses, A Copa do Brasil é também um bom atrativo com a participação dos grandes clubes do país, sujeitos a zebras impostas pelo regulamento.
Sem clubes brasileiros na semi-final da Libertadores (o único torneio que chega perto de uma Copa do Mundo), a receita de emoção para o brasileiro terá de ser caseira.
Na briga de cima, Cruzeiro, Corinthians, Internacional, Grêmio, Fluminense, e São Paulo, devem protagonizar os duelos por título e Libertadores. Tem elenco pra isso e gastaram por isso.
O melhor paulista de 2013, Santos, corre por fora assim como Atlético- MG e Goiás. De resto, tudo pode acontecer no imprevisível Brasileiro.
Longe de ser o campeonato dos sonhos,
Mas chegou a hora de voltar à realidade!

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A Nossa Copa

Volto no tempo e recordo do debate que participei alguns dias antes do início da Copa do Mundo no Brasil, quando era discutido o legado que a competição deixaria para o país. Na oportunidade, fui quase uma voz isolada ao defender que a Copa deixaria um grande legado e isso só dependia de nós, brasileiros.
Eis que o Brasil foi tomado pela magia do torneio. Momento único, de rara beleza e entendimento geral. Todos pararam para olhar aquilo que estava acontecendo no nosso quintal.
Os gringos chegaram e se sentiram em casa. Sem pudor, fizeram a festa. E sem pudor, entramos na dança.
Aqueles que torciam o nariz pra competição, viram que tudo aquilo falado sobre o caos que o país viveria nos dias de Copa era mentira, terrorismo barato dos meios de comunicação que duvidaram que conseguiríamos fazer da Copa uma festa à altura do nosso povo, à altura que o mundo queria.
Nunca duvidei de nossa capacidade e por isso estive presente em dois jogos, comprados com a devida antecedência de quem quis pagar pra ver, sem o medo daqueles que correram atrás dos ingressos de forma tardia, quando o sucesso já era evidente.
Confesso que me arrependi.
Dois jogos foram insuficientes para que minha sede de Copa fosse saciada. Dava para ter ido em mais, muito mais! Mesmo assim, sou grato. A vida me proporcionou logo de cara um dos grandes momentos de todas as Copas.
Meninos, eu vi. Vi o gosto da revanche ser saboreado pelos holandeses em plena Fonte de Nova, logo no segundo dia de Copa. Como quem diz “parabéns pela ousadia de estar aqui sozinho, longe de casa, apenas por uma partida de futebol”, a vida não me deu uma partida qualquer. Sabia que eu merecia mais, algo que marcasse não só na minha memória, mas na de todos os brasileiros que viram a Holanda enfiar 5 x 1 na Espanha, na reedição da final de 2010, quando a Fúria sagrou-se campeã.
Também senti o gostinho do mata-mata. Comprei no escuro, sem saber o confronto que me esperava nas oitavas de Brasília.
França 2 X 0 Nigéria ficará marcado como meu 2º jogo de Copa na vida, mas a minha despedida da competição no Brasil.
Outra partida de encher os olhos, com a Nigéria muito próxima de surpreender no 1º tempo, com uma atuação memorável do goleiro Enyeama, que não pode ter a performance apagada pela falha no 1º gol francês.
Na arquibancada, seria o fim da Copa pra mim.
Tive de me contentar então com o espetáculo pela TV. Escolhi a ESPN. Canal que conta com profissionais capacitados e visão mais crítica aos fatos, principalmente se tratando de seleção brasileira.
Seleção essa, que podemos nos orgulhar de ser nossa única vergonha dos últimos 30 dias. E a culpa não é nossa. A culpa é deles. Dos que comandam nosso futebol – já citados aqui após o fatídico 7 x 1.
Que os sete gols tomados contra a Alemanha seja o outro legado pra tirar da Copa. Que clubes e jogadores tomem consciência de que só eles podem mudar o destino do nosso futebol. E para isso, será preciso uma revolução de verdade. Pessoas que não trazem benefícios ao nosso futebol – há tempos no poder de federações e CBF – precisam ser expulsas do poder e ignoradas. Que se crie novas alternativas e soluções para que nossas arenas não sirvam mais de palco para esse futebol pobre que estão nos vendendo como algo degustável.
Que nossa imprensa tenha, enfim, aprendido a lição de que não está proibido torcer pela nossa seleção, mas é preciso, antes disso, ter a visão crítica para que defeitos sejam apontados e discutidos.
Fomos vítimas de um jornalismo que pouco questionou a capacidade atual de Luiz Felipe Scolari para comandar a seleção na busca pelo hexa, 12 anos após ter sido penta.
Nem todos podem ter uma ESPN Brasil que, desde o título da Copa das Confederações, vem apontando falhas no trabalho de Felipão. Mas para os que se dedicam a prática diária do futebol , a eliminação brasileira não foi nenhuma surpresa.
” O hexa está próximo” foi o que tentaram nos vender.
Como se ganhar uma Copa do Mundo fosse apenas entrar em 7 partidas, fazer 7 churrascos e pronto: campeão.
A campeã Alemanha, provou que ganhar uma Copa vai muito além do que passar ilesa por 7 jogos, de 4 em 4 anos.
Os alemães provaram que o sucesso começa na derrota. Foi assim no 2 x 0 para o Brasil em 2002.
Reconstrução total do futebol, duras derrotas – em casa no ano de 2006 – e na África em 2010, para que a glória, enfim, viesse.
Justamente no Brasil.
Foi aqui que os alemães fizeram a festa, desde o primeiro dia em que chegaram em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Até parece que sabiam desde o começo que seriam os campeões. Foram acolhidos pelo povo. Não fugiram do calor humano. Se sentiram em casa.
Foram, de fato, a nossa seleção na Copa. Aquela que representou o futebol que gostaríamos de ver. Futebol eficiente, bonito, mas futebol de emoção. Que penou pra passar da Argélia nas oitavas e pra ganhar da Argentina na final.
Ironia do destino, enfiou 7 justamente na que deveria ser a nossa seleção.
Seleção roubada de nós, que depois dos 7 x 1 deveria ser devolvida para os braços de quem a quer bem.
Voltando para o debate sobre o legado da Copa, fui questionado se o Brasil, caso perdesse a competição, seria tomado por uma 3ª guerra mundial. Indignado respondi: “não podemos colocar o futuro do país nas costas de um menino de 22 anos. É só uma Copa.”
Copa que termina aqui. Sem o Brasil campeão e sem uma 3ª guerra mundial, apesar dos 7 x 1.
Mesmo sem guerra, fica a perspectiva de um novo mundo para o nosso futebol.
O legado da Copa está aí, para quem quiser enxergar.

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